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Ciências Delas na Educação Infantil: uma história para conhecer cientistas brasileiras

Ciências Delas na Educação Infantil: uma história para conhecer cientistas brasileiras

Uma folha caída no chão, uma formiga caminhando pelo jardim ou uma estrela que aparece no céu podem despertar muitas perguntas. Para as crianças, essas pequenas situações do cotidiano são oportunidades de olhar com atenção, conversar e descobrir algo novo.

É dessa curiosidade que nasce a proposta Ciências Delas na Educação Infantil: apresentar mulheres cientistas brasileiras por meio de uma história curta, visual e acessível, aproximando o trabalho dessas pesquisadoras do universo das crianças.

Quando pensamos em ciência, podemos imaginar equipamentos, laboratórios e palavras difíceis. Entretanto, uma primeira aproximação com esse tema pode começar com ações que já fazem parte da infância: observar, comparar, perguntar, experimentar e procurar explicações.

Pensando nas turmas de maternal, Jardim 1 e Jardim 2, preparei uma versão reduzida da história Ciências Delas. A proposta apresenta seis cientistas brasileiras e seus campos de pesquisa com frases curtas e imagens que ajudam a acompanhar a narrativa.

Neste artigo, compartilho a ideia do material e possibilidades para trabalhar a história em sala de aula. O objetivo é construir uma experiência acolhedora, na qual as crianças conheçam essas mulheres e encontrem espaço para expressar suas próprias perguntas.

O que é a proposta Ciências Delas na Educação Infantil?

Ciências Delas é uma proposta que dá visibilidade ao trabalho de mulheres brasileiras na ciência. Na Educação Infantil, esse tema pode ser apresentado por meio de histórias, fotografias, brincadeiras e experiências de observação.

A ideia é mostrar que existem mulheres pesquisando plantas, estudando o Universo, investigando o funcionamento do corpo e procurando respostas para diferentes problemas. Cada uma trabalha com perguntas e ferramentas relacionadas à sua área.

Para crianças pequenas, essa apresentação precisa partir de referências próximas. Uma árvore, uma laranja, o céu e o próprio corpo ajudam a estabelecer relações entre o que aparece na história e aquilo que elas conhecem.

A proposta também permite ampliar as imagens que as crianças associam à palavra “cientista”. Elas podem conhecer mulheres atuando em ambientes diferentes, como a natureza, o laboratório e espaços de estudo.

Esse contato inicial não precisa envolver explicações extensas. Uma imagem bem escolhida e uma frase compreensível podem abrir uma conversa interessante. A partir daí, a professora acolhe comentários e acompanha o interesse do grupo.

Por que adaptar uma história sobre cientistas para crianças pequenas?

Uma história adequada ao 1º ano pode apresentar informações demais para uma turma de maternal. Isso acontece porque a quantidade de texto, o vocabulário e o tempo de escuta precisam ser considerados no planejamento.

Ao adaptar Ciências Delas para a Educação Infantil, procurei preservar o essencial: quem são as cientistas e o que cada uma pesquisa. As explicações ficaram mais curtas, com uma ideia principal em cada participação.

Também organizei a narrativa em páginas com imagens grandes. Assim, as crianças podem observar enquanto escutam e encontrar pistas visuais relacionadas ao assunto apresentado.

A história continua sendo uma viagem de descobertas, mas sua leitura permite pausas, comentários e retomadas. Não é necessário explicar tudo de uma vez. A professora pode destacar uma imagem, ouvir uma pergunta e continuar.

Essa adaptação também torna o material mais flexível. A mesma história pode ser apresentada de maneira breve no maternal e ganhar conversas mais elaboradas no Jardim 2, conforme as respostas e o interesse das crianças.

Uma pequena pergunta sai para passear

A versão curta começa com uma pequena pergunta que sai para passear:

“O que faz uma cientista?”

Essa pergunta conduz a narrativa e apresenta diferentes possibilidades de pesquisa. Ao longo da viagem, as crianças encontram mulheres que estudam plantas, laranjeiras, matemática, Universo, células e pequenos seres relacionados ao crescimento das plantas.

A repetição da ideia de perguntar cria uma ligação entre as páginas. A turma acompanha a descoberta de que cada cientista investiga um assunto e de que há muitas coisas para conhecer.

No final, a pergunta chega à escola e encontra crianças observando o mundo. Esse encontro aproxima a história da realidade do grupo e abre espaço para uma conversa: “O que vocês gostariam de descobrir?”

A intenção é terminar a leitura com curiosidade. Uma criança pode querer saber sobre uma folha; outra, sobre uma pedra ou um inseto. Essas perguntas podem orientar as experiências seguintes.

As seis cientistas brasileiras apresentadas na história

A história reúne seis pesquisadoras. Para a Educação Infantil, seus trabalhos aparecem de forma resumida, sem exigir que as crianças compreendam todos os conceitos envolvidos em cada área.

Os nomes podem ser apresentados durante a leitura e retomados em outras atividades. A fotografia ajuda a reconhecer cada mulher, enquanto elementos como plantas, laranjas e imagens do céu ajudam a lembrar seu campo de pesquisa.

Letícia Couto Garcia: observar as plantas e a natureza

Letícia Couto Garcia aparece na história relacionada ao estudo das plantas e à compreensão da natureza. Sua participação convida as crianças a olhar para folhas, árvores e outros elementos encontrados no ambiente.

Depois dessa página, a professora pode mostrar uma folha e perguntar o que o grupo percebe. Existem linhas? Qual é sua cor? Ela é grande ou pequena?

Uma caminhada pelo espaço externo também pode dar continuidade à conversa. O foco é observar e descrever, respeitando o ambiente. As crianças podem comparar folhas caídas e registrar aquilo que mais chamou sua atenção.

Taícia Fill: investigar o que acontece com as laranjeiras

Taícia Fill é apresentada por meio de suas pesquisas relacionadas a problemas que podem atingir as laranjeiras. Na história, o laboratório aparece como um lugar onde ela procura pistas.

A laranja oferece uma referência familiar para a conversa. A professora pode mostrar a fruta e perguntar de onde ela vem, como é sua casca e se todas têm o mesmo tamanho.

Essa aproximação mantém a proposta acessível. As crianças conhecem uma cientista que investiga questões ligadas às plantas e percebem que uma fruta do cotidiano também pode estar relacionada a uma pesquisa.

Jaqueline Mesquita: matemática e procura de soluções

Jaqueline Mesquita aparece como uma cientista que trabalha com matemática e busca soluções. Na apresentação para os pequenos, números, formas e sequências podem ajudar a construir uma primeira relação com esse campo.

A professora pode organizar uma sequência com duas cores e convidar a turma a descobrir o que vem depois. Também pode propor uma sequência de gestos para que as crianças observem e repitam.

Essas brincadeiras estabelecem uma conexão pedagógica com a matemática apresentada na história. O trabalho da pesquisadora é mais amplo, mas a atividade oferece uma experiência concreta de observar relações e pensar em possibilidades.

Rita de Cássia dos Anjos: pesquisar o Universo

Rita de Cássia dos Anjos é apresentada como uma cientista que estuda o Universo e pesquisa pistas que vêm do espaço. Essa página pode despertar comentários sobre o céu, a Lua e as estrelas.

As crianças costumam trazer observações feitas com suas famílias. Algumas lembram de uma noite em que viram a Lua; outras querem saber por que o céu muda de aparência.

A professora pode acolher essas perguntas e selecionar algumas para retomar em outro momento. Fotografias do céu ajudam na conversa, mantendo uma distinção clara entre imagens de fenômenos reais e desenhos produzidos pela turma.

Alicia Kowaltowski: conhecer as células

Alicia Kowaltowski aparece relacionada ao estudo das células. Na história, elas são apresentadas como partes muito pequenas do nosso corpo, que a cientista pesquisa para compreender seu funcionamento.

Para essa faixa etária, a explicação pode permanecer breve. Não é necessário apresentar nomes de estruturas ou processos complexos. A ideia é mostrar que há coisas pequenas que também despertam perguntas.

A página pode abrir uma conversa sobre instrumentos que ajudam a observar detalhes. Uma lupa, por exemplo, permite explorar linhas de uma folha. Essa experiência deve ser apresentada como observação de detalhes, sem afirmar que a lupa permite enxergar células.

Mariangela Hungria: pequenos seres que ajudam as plantas

Mariangela Hungria é apresentada por meio do estudo de seres muito pequenos, alguns dos quais ajudam as plantas a crescer. Sua participação aproxima a narrativa do solo e das relações presentes na natureza.

A professora pode mostrar uma planta e conversar sobre suas partes. Onde ficam as raízes? O que conseguimos observar? Que diferenças existem entre a planta e sua imagem na história?

Uma proposta de plantio permite acompanhar mudanças ao longo dos dias. Ela funciona como continuidade da conversa sobre plantas, sem sugerir que as crianças conseguirão ver esses seres pequenos diretamente na terra.

Como organizar a contação da história Ciências Delas

Antes da leitura, vale observar se todas as crianças conseguem visualizar as páginas. O material pode ser apresentado em uma tela, por projeção ou em páginas impressas, conforme os recursos disponíveis.

Uma introdução simples ajuda a convidar o grupo: “Vamos conhecer mulheres que fazem perguntas e procuram respostas?” Em seguida, a professora apresenta a primeira página e começa a narrativa.

Durante a leitura, o ritmo pode acompanhar a turma. Algumas imagens vão despertar comentários; outras podem ser vistas rapidamente. Não é preciso interromper cada página com uma pergunta.

Também é interessante evitar uma explicação longa antes de contar a história. A própria narrativa apresenta o tema. Depois, a professora pode retomar uma ou duas imagens e ouvir o que ficou mais marcante.

O tempo da atividade depende das interações. Embora o texto seja curto, a experiência pode se ampliar quando as crianças conversam, apontam elementos e relacionam as imagens às suas vivências.

Ciências Delas com as crianças do maternal

No maternal, a aproximação pode acontecer principalmente pelas imagens, pela voz da professora e por elementos concretos. É possível destacar palavras como “planta”, “laranja”, “céu” e “cientista”, sem exigir a memorização dos nomes.

A professora pode apontar uma árvore na imagem e mostrar uma folha de verdade. Essa relação entre fotografia e objeto ajuda a acompanhar a proposta.

Depois da história, uma brincadeira de associação pode utilizar fotografias iguais das cientistas. Um conjunto fica sobre um tapete e outro é entregue às crianças, que procuram a imagem correspondente com apoio.

A quantidade de fotografias pode ser ajustada ao grupo. Também é possível realizar a experiência em pequenos grupos, oferecendo tempo para olhar e comparar.

O foco está na participação: observar, reconhecer semelhanças, aproximar imagens e interagir. Cada criança pode responder de uma maneira, inclusive apontando ou levando a fotografia até o lugar escolhido.

Ciências Delas com o Jardim 1

No Jardim 1, a história pode ser acompanhada de conversas breves sobre os elementos presentes nas imagens. A professora pode perguntar quem estudava as plantas ou em qual página apareceu uma laranja.

O jogo da memória é uma possibilidade de continuidade. Com pares de fotografias das cientistas, as crianças viram duas cartas por vez e observam se encontraram imagens iguais.

Ao longo da brincadeira, a professora pode retomar uma informação da história: “Essa é a cientista que apareceu com as plantas.” Assim, as fotografias permanecem ligadas à narrativa.

Outra proposta é criar um cenário com desenho e colagem. A criança pode representar árvores, uma bancada de laboratório ou o céu, usando aquilo que mais chamou sua atenção.

Essas produções não precisam reproduzir fielmente as imagens. Elas permitem que cada criança expresse sua compreensão e suas escolhas a partir da experiência compartilhada.

Ciências Delas com o Jardim 2

No Jardim 2, as conversas podem explorar algumas relações entre as cientistas, seus ambientes e seus campos de pesquisa. A professora pode perguntar se todas estudam a mesma coisa e ouvir as justificativas.

Uma atividade de associação pode reunir fotografias e elementos relacionados à história. Plantas, laranjas, números e imagens do espaço funcionam como pistas para retomar as participações.

Também é possível organizar um pequeno percurso de investigação. As crianças recebem uma pergunta concreta, como descobrir diferenças entre duas folhas, e escolhem como observar e registrar o que encontraram.

Após a experiência, cada grupo pode compartilhar suas ideias. Algumas crianças vão desenhar; outras vão preferir explicar oralmente ou apontar os detalhes.

A proposta permite conversar sobre diferentes respostas. Quando surgirem dúvidas, a professora pode convidar a observar novamente, oferecendo apoio para que o grupo amplie suas descrições.

Atividades para continuar a história em sala de aula

A história pode abrir uma sequência de experiências, mas não é necessário realizar muitas atividades de uma vez. Escolher uma proposta ligada ao interesse da turma costuma tornar a continuidade mais coerente.

As possibilidades abaixo podem ser adaptadas conforme a idade, os materiais e a organização do espaço.

Mesa de observação da natureza

Organize uma mesa com folhas caídas, sementes grandes, pedras e outros materiais adequados ao grupo. As crianças podem olhar, comparar e conversar sobre cores, tamanhos e texturas.

A professora acompanha o uso dos materiais e acolhe as descrições. Para turmas que levam objetos à boca, a seleção e a supervisão precisam considerar essa característica.

Sequências de cores e movimentos

Depois da participação de Jaqueline, proponha uma sequência curta com peças coloridas ou gestos. A turma observa, repete e tenta descobrir o próximo elemento.

Quando a primeira sequência estiver compreendida, as crianças podem sugerir outra. A professora ajuda a organizar as ideias e convida o grupo a experimentar o que foi criado.

Desenho “Eu cientista”

Convide cada criança a se representar investigando alguma coisa. O desenho pode mostrar uma planta, um animal, o céu ou outro assunto escolhido por ela.

Uma pergunta ajuda a iniciar: “Se você pudesse pesquisar uma coisa, o que gostaria de descobrir?” A professora pode registrar a resposta ao lado da produção, preservando a fala da criança.

Painel de perguntas da turma

Depois da história, reúna algumas perguntas feitas pelas crianças. Elas podem ser registradas em cartões com desenhos ou fotografias relacionados aos assuntos.

O painel permanece como uma referência para outras experiências. Conforme uma pergunta for retomada, a professora pode acrescentar registros do que a turma observou, mantendo visível o percurso da investigação.

Como relacionar Ciências Delas à Educação Digital

Na minha prática como professora de Tecnologia na Educação Infantil, procuro relacionar os recursos digitais às experiências concretas das crianças. A história Ciências Delas permite construir essa conexão de diferentes maneiras.

As imagens podem ser apresentadas digitalmente e depois retomadas em fotografias impressas. Uma sequência de movimentos pode ser experimentada com o corpo antes de aparecer em uma atividade na tela.

Jogos de memória ou associação também podem dar continuidade a uma brincadeira já conhecida pela turma. Nesse caso, o recurso digital amplia uma experiência que as crianças tiveram com objetos e imagens.

É importante que a ferramenta escolhida tenha uma função compreensível na proposta. Ela pode ajudar a observar uma imagem, organizar uma sequência, registrar uma descoberta ou interagir com um jogo.

O planejamento considera o tempo de uso, a mediação e as condições disponíveis. Quando não há internet, materiais impressos e recursos que funcionam offline permitem manter a continuidade da experiência.

Como acompanhar a participação das crianças

O acompanhamento pode acontecer durante a leitura, as conversas e as brincadeiras. A professora observa como cada criança participa e quais aspectos despertam seu interesse.

Algumas vão comentar as imagens; outras poderão reconhecer uma fotografia, comparar objetos ou fazer uma pergunta. Essas manifestações ajudam a compreender como o grupo está se aproximando da proposta.

Também vale observar as relações construídas. Uma criança pode lembrar que determinada cientista estudava plantas, enquanto outra relaciona a imagem do laboratório a um instrumento que já conheceu.

Os registros podem incluir fotografias das atividades, falas anotadas e produções das crianças. Eles ajudam a documentar o percurso e a planejar as próximas experiências.

A memorização dos nomes não precisa ser o centro da observação. Conhecer essas mulheres, perceber diferentes campos de pesquisa e participar das situações de investigação já oferecem elementos para acompanhar a proposta.

Um material para despertar novas perguntas

A versão curta de Ciências Delas foi organizada em 11 páginas horizontais, com textos breves e imagens das seis cientistas. O formato permite apresentar a história e retomar suas páginas conforme o interesse da turma.

O material pode integrar propostas sobre mulheres na ciência, natureza, investigação e curiosidade. Também pode ser utilizado em atividades relacionadas à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.

Para o maternal, a leitura pode destacar imagens e palavras familiares. No Jardim 1 e no Jardim 2, as conversas podem ganhar novas relações, sempre respeitando as respostas das crianças.

Ao preparar essa adaptação, procurei criar uma história que abrisse espaço para observar e conversar. As cientistas aparecem como mulheres que pesquisam diferentes assuntos, e as crianças são convidadas a continuar perguntando.

Depois da última página, uma nova experiência pode começar com algo simples: uma folha, uma fotografia ou uma dúvida trazida pelo grupo.

Qual pergunta as crianças da sua turma fariam depois de ouvir essa história? Compartilhe nos comentários e envie este artigo para uma professora que também queira apresentar cientistas brasileiras na Educação Infantil.