PLANO DE AULA EDUCAÇÃO DIGITAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL: PEQUENOS CIENTISTAS – O LABORATÓRIO DAS TEXTURAS
Trabalhar Educação Digital na Educação Infantil não significa colocar a criança diante de uma tela durante toda a aula.
Muito pelo contrário.
Uma das possibilidades mais ricas é começar pela experiência concreta, permitindo que a criança toque, observe, compare, faça perguntas, experimente e construa conhecimentos para, somente depois, estabelecer relações com o ambiente digital.
Foi pensando exatamente nesse percurso que desenvolvi a proposta Pequenos Cientistas: O Laboratório das Texturas.
Nesta aula, as crianças se transformaram em pequenos investigadores para descobrir diferentes características dos materiais, trabalhando os conceitos:
liso, áspero, mole e duro.
E o mais interessante é que a tecnologia apareceu dentro de um percurso que envolveu materiais concretos, lupas, classificação, investigação, vídeo e jogo digital.
EDUCAÇÃO DIGITAL TAMBÉM COMEÇA NO CONCRETO
Quando falamos em Educação Digital com crianças pequenas, é muito importante compreender que o desenvolvimento das habilidades relacionadas à computação não depende exclusivamente do uso de computadores.
Organizar informações, seguir etapas, comparar possibilidades, criar estratégias, resolver problemas e tomar decisões são experiências que também fazem parte do pensamento computacional.
Por isso, nesta proposta, antes de chegar ao computador, as crianças tiveram contato direto com diferentes materiais.
Elas puderam:
- observar;
- tocar;
- apertar;
- comparar;
- investigar;
- levantar hipóteses;
- testar suas ideias;
- classificar objetos.
Esse percurso tornou a experiência digital posterior muito mais significativa.
O TEMA DA AULA: PEQUENOS CIENTISTAS
A aula foi organizada a partir da proposta:
Pequenos Cientistas: O Laboratório das Texturas
O objetivo foi investigar propriedades dos materiais utilizando quatro conceitos principais:
LISO
Materiais cuja superfície apresenta sensação mais uniforme ao toque.
ÁSPERO
Materiais cuja superfície apresenta irregularidades perceptíveis ao toque.
MOLE
Materiais que podem ser apertados, comprimidos ou deformados com maior facilidade.
DURO
Materiais que oferecem maior resistência quando são apertados ou pressionados.
Um cuidado importante durante essa proposta é conversar com as crianças sobre o fato de que um mesmo objeto pode apresentar mais de uma propriedade.
Um objeto pode, por exemplo, ser duro e também liso.
Por isso, para essa experiência inicial, selecionei materiais nos quais uma determinada característica pudesse ser percebida com maior facilidade.
A CAIXA DAS PEQUENAS DESCOBERTAS
Para iniciar a experiência, utilizei uma caixa contendo diversos objetos e materiais.
A ideia era criar curiosidade antes mesmo da investigação começar.
Na caixa havia materiais com diferentes superfícies, formatos e consistências.
Também utilizei lupas, deixando a experiência ainda mais próxima da proposta de um pequeno laboratório.
Cada criança recebeu a oportunidade de investigar.
A sequência foi:
PEGAR → OBSERVAR → INVESTIGAR → TESTAR → PENSAR → ESCOLHER → CLASSIFICAR
Essa organização é extremamente interessante dentro de uma aula de Educação Digital porque apresenta às crianças uma sequência ordenada de ações.
A criança não simplesmente olha para o objeto e responde.
Ela passa por um processo.
COMO FUNCIONOU A ATIVIDADE PRINCIPAL?
Uma criança por vez escolhia um objeto da caixa.
Depois, utilizava a lupa para observá-lo mais atentamente.
Em seguida, podia tocar, apertar e experimentar o material.
Durante esse momento, algumas perguntas ajudavam a conduzir a investigação:
“O que você percebeu?”
“Como é a superfície desse objeto?”
“Você consegue apertar?”
“Ele muda de forma?”
“Ele parece resistente?”
“Quando você passa a mão, como ele parece?”
“Qual pista ajudou você a descobrir?”
Somente depois dessa exploração a criança fazia sua classificação.
Os objetos deveriam ser associados às categorias:
LISO – ÁSPERO – MOLE – DURO
O mais importante não era simplesmente acertar.
O objetivo era perceber como a criança havia chegado àquela conclusão.
Uma das fotos que representa muito bem essa experiência é a imagem da caixa com os objetos e a lupa.
Ela ajuda a mostrar visualmente que a proposta envolveu investigação real e manipulação de diferentes materiais.
UMA MESA DE INVESTIGAÇÃO
Outra proposta da aula foi organizar uma mesa com vários materiais.
Foram disponibilizadas lupas e cartões representando as quatro classificações.
Cada espaço da mesa tinha os cartões:
DURO
MOLE
LISO
ÁSPERO
As crianças podiam pegar os objetos, investigar e comparar.
Essa organização também permite trabalhar em pequenos grupos.
O professor pode propor desafios como:
“Encontre dois objetos que sejam lisos.”
“Qual desses objetos parece mais áspero?”
“Qual deles podemos apertar?”
“Qual objeto parece mais resistente?”
“Esses dois materiais têm alguma característica em comum?”
A investigação deixa de ser apenas uma atividade de identificação e se transforma em uma oportunidade para desenvolver argumentação e comparação.
RECURSO VISUAL PARA CLASSIFICAÇÃO
Também preparei placas maiores para representar cada categoria.
As placas foram organizadas no espaço da sala, permitindo que as crianças visualizassem claramente os quatro conceitos trabalhados.
Essa referência visual é especialmente importante na Educação Infantil porque associa:
IMAGEM + PALAVRA + EXPERIÊNCIA CONCRETA
A criança ainda pode não realizar a leitura convencional da palavra, mas começa a reconhecer aquele registro dentro de um contexto significativo.
As placas também podem ser utilizadas com saquinhos, caixas, cestos ou outros recipientes.
A criança investiga um material e depois o coloca junto à categoria correspondente.
VÍDEO: LIA E A CAIXA DAS PEQUENAS DESCOBERTAS
Para enriquecer a sensibilização, utilizei também uma pequena história chamada:
Lia e a Caixa das Pequenas Descobertas
A narrativa apresenta uma personagem infantil em uma situação relacionada ao tema investigado.
O vídeo ajuda a criar contexto para a aula e despertar a curiosidade antes da experiência prática.
É importante destacar que o vídeo não substitui a investigação.
Ele funciona como sensibilização.
A aprendizagem central acontece quando a criança pode experimentar.
DO CONCRETO PARA O DIGITAL
Depois das experiências com os objetos reais, as crianças também tiveram contato com uma atividade digital.
No jogo, apareciam diferentes materiais e a criança precisava analisar a imagem e escolher a resposta correspondente.
Em uma das propostas, por exemplo, aparecia o algodão e a pergunta:
“Essa amostra parece dura ou mole?”
A criança então precisava selecionar uma possibilidade.
Nesse momento existe uma relação pedagógica muito importante:
OBJETO REAL → EXPERIÊNCIA → MEMÓRIA → IMAGEM DIGITAL → DECISÃO
A criança não está tentando adivinhar uma propriedade apenas olhando uma fotografia.
Ela já teve contato com materiais reais.
Ela pode recuperar uma experiência anterior para responder ao desafio digital.
É justamente essa ponte entre concreto e digital que considero tão importante no trabalho com tecnologia na Educação Infantil.
PENSAMENTO COMPUTACIONAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Esta experiência também permite explorar habilidades relacionadas ao Pensamento Computacional.
Na atividade principal existe uma sequência:
pegar → observar → investigar → testar → pensar → escolher → classificar.
Essa organização ajuda a criança a perceber que algumas tarefas precisam seguir determinadas etapas.
Também há situações de:
- comparação;
- tomada de decisão;
- identificação de padrões;
- organização;
- tentativa e erro;
- resolução de problemas;
- revisão de estratégias.
Tudo isso pode acontecer antes mesmo do uso do computador.
BNCC COMPUTAÇÃO
No planejamento, foram consideradas habilidades relacionadas aos três eixos da BNCC Computação.
Pensamento Computacional
EI03CO02 – Expressar as etapas para a realização de uma tarefa de forma clara e ordenada.
A habilidade aparece na sequência investigativa realizada pelas crianças.
EI03CO03 – Experienciar a execução de algoritmos brincando com objetos (des)plugados.
A sequência de ações realizada com os objetos permite vivenciar uma experiência desplugada de execução de etapas.
Mundo Digital
EI03CO09 – Identificar dispositivos computacionais e as diferentes formas de interação.
Durante a atividade digital, as crianças utilizam computador, mouse, cursor e tela para realizar suas escolhas.
Cultura Digital
EI03CO10 – Utilizar tecnologia digital de maneira segura, consciente e respeitosa.
Durante o uso compartilhado dos computadores, também trabalhamos o cuidado com os equipamentos, o respeito à vez do colega e os combinados para utilização dos recursos.
BNCC EDUCAÇÃO INFANTIL
A atividade também estabelece relação direta com o campo de experiências:
Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações
Entre as habilidades trabalhadas estão:
EI03ET01 – Estabelecer relações de comparação entre objetos, observando suas propriedades.
e
EI03ET05 – Classificar objetos e figuras de acordo com suas semelhanças e diferenças.
As duas habilidades aparecem de maneira muito natural durante a investigação.
O QUE OBSERVAR DURANTE A AULA?
A avaliação acontece durante todo o processo.
Observe se a criança:
- demonstra curiosidade;
- manipula diferentes materiais;
- utiliza a lupa para observar;
- percebe diferenças entre objetos;
- compara características;
- consegue levantar hipóteses;
- revê uma hipótese depois de experimentar;
- classifica os materiais;
- explica sua escolha;
- acompanha a sequência proposta;
- transfere uma experiência concreta para o ambiente digital.
Não é necessário esperar respostas perfeitas.
O processo de investigação é tão importante quanto a resposta final.
POR QUE GOSTEI TANTO DESSA PROPOSTA?
Porque ela mostra, na prática, que trabalhar Educação Digital com crianças pequenas pode ir muito além da tela.
A tecnologia está presente, mas existe todo um percurso antes dela.
Tem caixa.
Tem objeto.
Tem lupa.
Tem descoberta.
Tem conversa.
Tem tentativa.
Tem comparação.
Tem pensamento.
E depois também tem computador.
Esse equilíbrio permite que a tecnologia realmente faça sentido dentro da experiência pedagógica.
PLANO DE AULA + RECURSO PEDAGÓGICO
Depois de aplicar a proposta, organizei todo o planejamento em um material completo para outros professores utilizarem com suas turmas.
O arquivo Pequenos Cientistas: O Laboratório das Texturas reúne o plano de aula e os recursos imprimíveis utilizados para explorar os conceitos:
LISO • ÁSPERO • MOLE • DURO
O material inclui planejamento, objetivos, desenvolvimento detalhado, mediações, BNCC Computação, avaliação, propostas de ampliação e recursos para impressão.
Uma possibilidade prática para quem deseja desenvolver uma experiência de Educação Digital na Educação Infantil partindo da exploração concreta e chegando ao ambiente digital.
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PLANO DE AULA EDUCAÇÃO DIGITAL PARA EDUCAÇÃO INFANTIL: PEQUENOS CIENTISTAS E O LABORATÓRIO DAS TEXTURAS
Meta descrição
Plano de aula de Educação Digital para Educação Infantil com investigação de texturas, lupas, classificação, pensamento computacional, BNCC e atividade digital.
Palavras-chave
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