INDEPENDÊNCIA DO BRASIL NO MATERNAL: PLANO DE AULA COM HISTÓRIA, MÚSICA, MOVIMENTO E TECNOLOGIA
Trabalhar a Independência do Brasil no Maternal pode ser uma experiência muito mais significativa quando o tema é apresentado por meio de histórias, músicas, movimentos, cores e brincadeiras. Nessa faixa etária, as crianças estão conhecendo o mundo por meio do corpo, da observação, da exploração e das interações. Por isso, uma aula sobre o 7 de Setembro não deve ser baseada apenas na memorização de datas, nomes ou acontecimentos históricos.
O mais importante é proporcionar uma primeira aproximação com alguns elementos relacionados ao Brasil, como a bandeira, suas cores, as paisagens, as músicas e os personagens que aparecem nas narrativas infantis sobre a Independência.
Foi pensando nas necessidades das crianças bem pequenas que desenvolvi o plano de aula “Cores, música e movimentos do Brasil”. A proposta foi elaborada especialmente para o Maternal e reúne história infantil, música com comandos, expressão corporal, observação da bandeira, desenho livre, blocos de montar e exploração de brinquedos tecnológicos.
O material está organizado para uma aula de aproximadamente 50 minutos, mas a professora pode adaptar o tempo conforme o interesse da turma, a quantidade de crianças e os recursos disponíveis na escola.
COMO EXPLICAR A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL PARA O MATERNAL?
As crianças do Maternal não precisam compreender todos os fatores históricos e políticos envolvidos na Independência do Brasil. Conceitos como colonização, governo, monarquia e relações entre Brasil e Portugal são abstratos demais para essa etapa.
Isso não significa que o tema deva ser ignorado. Ele pode ser apresentado de uma forma simples, afetiva e adequada à idade.
A professora pode explicar que o Brasil tem uma história, que muitas pessoas fizeram parte dela e que, há muito tempo, aconteceu um momento importante chamado Independência do Brasil.
Uma explicação possível seria:
“Há muito tempo, o Brasil passou por um momento muito importante. Esse momento ficou conhecido como Independência do Brasil. Hoje vamos conhecer uma história, observar a nossa bandeira, ouvir uma música e brincar com as cores do nosso país.”
Essa introdução é suficiente para situar as crianças sem sobrecarregá-las com informações.
O foco do trabalho no Maternal pode ser direcionado para a identificação da bandeira como um símbolo do Brasil, a observação de suas cores, a participação em uma narrativa, a realização de movimentos e a exploração de diferentes materiais.
A HISTÓRIA COMO PONTO DE PARTIDA
Uma história infantil ilustrada é uma excelente forma de iniciar o plano de aula sobre a Independência do Brasil.
As imagens ajudam as crianças a compreender a narrativa e a manter a atenção. Os personagens despertam curiosidade e criam uma conexão emocional com o tema.
No plano, a história utilizada é “A viagem de Bia pela Independência do Brasil”. A personagem Bia participa de uma aventura e encontra elementos relacionados à história brasileira. Ela observa paisagens, conhece personagens e vê a bandeira do Brasil.
Antes de apresentar a história, a professora pode mostrar a capa e conversar com a turma:
“Quem vocês acham que é essa menina?”
“Para onde será que ela vai?”
“Vocês conseguem encontrar uma bandeira?”
“Que animal aparece na imagem?”
As perguntas não precisam ser respondidas de forma completa. Uma criança pode responder com uma palavra, outra pode apontar para a tela e outra pode imitar o movimento do cavalo. Todas essas formas de comunicação devem ser acolhidas.
Durante a história, a professora pode fazer pequenas pausas para nomear os elementos importantes. Entretanto, é preciso evitar muitas interrupções, pois elas podem quebrar o envolvimento das crianças com a narrativa.
Ao final, algumas perguntas simples podem ser apresentadas:
“Quem apareceu na história?”
“Vocês viram um cavalo?”
“Como o cavalo se movimentava?”
“Vocês encontraram a bandeira?”
“Quais cores apareceram?”
“De qual parte vocês mais gostaram?”
As crianças podem responder oralmente, apontar, gesticular ou escolher uma imagem. O objetivo é permitir que participem de acordo com suas possibilidades.
MÚSICA E MOVIMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Depois da história, a aula continua com uma música infantil sobre a Independência do Brasil.
A música é um recurso muito importante para o Maternal porque reúne linguagem, ritmo, repetição e movimento. Ela ajuda a criar um ambiente alegre e favorece a participação das crianças.
Antes de começar, a professora pode explicar:
“Agora vamos ouvir uma música sobre o Brasil. Prestem atenção, porque vamos fazer alguns movimentos juntos.”
Os comandos podem envolver ações simples, como:
- Bater palmas;
- Marchar no lugar;
- Levantar os braços;
- Abaixar;
- Girar;
- Balançar o corpo;
- Imitar o movimento de cavalgar;
- Parar quando a música indicar.
A professora deve demonstrar cada movimento e acompanhar a turma. Algumas crianças farão todos os comandos. Outras participarão apenas de alguns momentos. Também haverá crianças que preferirão observar antes de tentar.
Não é necessário obrigar todas a realizarem os movimentos da mesma maneira. O mais importante é oferecer oportunidades de participação, respeitando os limites corporais e emocionais de cada criança.
A atividade musical desenvolve a coordenação motora ampla, o equilíbrio, a atenção, a percepção auditiva e a capacidade de acompanhar orientações.
Quando os comandos aparecem em uma determinada ordem, as crianças também começam a vivenciar o conceito de sequência. Essa experiência contribui para o desenvolvimento inicial do pensamento computacional.
PENSAMENTO COMPUTACIONAL NO MATERNAL
Muitas pessoas relacionam pensamento computacional apenas ao uso de computadores ou à programação. Entretanto, seus fundamentos também podem ser explorados por meio de brincadeiras corporais, músicas, histórias e materiais concretos.
Quando uma criança acompanha uma sequência de comandos — levantar os braços, bater palmas, girar e parar — ela está vivenciando uma sequência organizada de ações.
Quando percebe que um movimento se repete durante a música, está reconhecendo um padrão.
Quando aperta um botão e observa que o brinquedo produz um som, começa a perceber uma relação de causa e efeito.
Essas experiências são importantes para a construção de conhecimentos relacionados ao Pensamento Computacional e ao Mundo Digital, mesmo que a criança ainda não utilize termos técnicos.
No Maternal, a proposta deve continuar sendo essencialmente lúdica. A professora não precisa exigir que a criança saiba definir o que é algoritmo ou padrão. O objetivo é proporcionar vivências que contribuam para a construção gradual desses conceitos.
OBSERVANDO A BANDEIRA DO BRASIL
Após a história e a música, a professora pode apresentar uma imagem grande e nítida da bandeira do Brasil.
A imagem deve estar visível para toda a turma. Ela pode ser exibida no computador, na televisão, em um projetor ou impressa em tamanho ampliado.
A professora pode começar perguntando:
“O que vocês estão vendo?”
“Vocês conhecem esta bandeira?”
“Que cor aparece aqui?”
“Onde está o verde?”
“Vocês conseguem encontrar o amarelo?”
“Onde está o azul?”
“Que forma aparece no meio?”
As respostas devem ser acolhidas com naturalidade. Algumas crianças reconhecerão as cores. Outras precisarão da ajuda da professora.
É possível utilizar cartões coloridos para ampliar a exploração. A professora mostra um cartão verde e convida as crianças a localizarem a mesma cor na bandeira. Depois, repete a atividade com o amarelo, o azul e o branco.
A professora pode explicar:
“Esta é a bandeira do Brasil. Ela tem as cores verde, amarela, azul e branca.”
Não é necessário apresentar significados complexos para cada cor. No Maternal, a observação, a identificação e a nomeação já constituem uma experiência importante.
ORGANIZAÇÃO DO RODÍZIO DE ATIVIDADES
Depois do momento coletivo, a turma pode ser dividida em três grupos.
Cada grupo permanece aproximadamente oito minutos em uma proposta. Quando o tempo terminar, a professora utiliza um sinal para indicar a troca.
O sinal pode ser uma música curta, um sino suave, palmas em determinado ritmo ou uma frase combinada anteriormente.
Antes de iniciar, é importante explicar que todos passarão pelas três atividades.
A identificação dos grupos pode ser feita por cores. Um grupo recebe uma ficha verde, outro uma ficha amarela e o terceiro uma ficha azul. As mesas podem ter as mesmas cores, facilitando a organização.
Os materiais devem estar separados antes da aula. Isso evita longas pausas e ajuda a manter as crianças envolvidas.
ATIVIDADE 1: DESENHO LIVRE INSPIRADO NA BANDEIRA
Na primeira mesa, as crianças encontram folhas brancas e giz de cera grosso.
A bandeira pode permanecer visível como referência, mas a atividade não deve exigir uma reprodução perfeita.
O convite pode ser simples:
“Agora vocês podem fazer um desenho inspirado nas cores que observamos.”
Algumas crianças utilizarão apenas uma cor. Outras misturarão verde, amarelo, azul e outras tonalidades. Algumas farão riscos, círculos ou formas que não se parecem com a bandeira original.
Todas essas produções são válidas.
O desenho livre permite que cada criança registre a experiência de acordo com seu desenvolvimento, suas possibilidades motoras e suas escolhas.
Evite corrigir o desenho ou afirmar que determinada parte está errada. O objetivo é explorar materiais, cores, traços e movimentos.
A professora pode acompanhar com comentários descritivos:
“Você escolheu o verde.”
“Seu desenho tem muitos riscos grandes.”
“Você colocou o azul perto do amarelo.”
Essas falas valorizam a produção sem impor um resultado.
ATIVIDADE 2: EXPLORAÇÃO COM BLOCOS DE MONTAR
Na segunda mesa, as crianças exploram blocos de diferentes tamanhos, formatos e cores.
Não é obrigatório construir a bandeira do Brasil. Para o Maternal, a exploração livre é adequada e favorece descobertas importantes.
As crianças podem empilhar, encaixar, separar, derrubar, construir e reconstruir.
Durante a brincadeira, a professora pode nomear algumas características:
“Este bloco é grande.”
“Este é pequeno.”
“Você encontrou uma peça verde.”
“Sua construção ficou alta.”
“Essas duas peças são iguais.”
A mediação amplia o vocabulário e ajuda as crianças a estabelecer relações entre os objetos.
Se uma criança decidir construir algo inspirado na bandeira, a professora pode valorizar a iniciativa, mas não deve transformar essa produção em uma exigência para todo o grupo.
ATIVIDADE 3: CANTINHO TECNOLÓGICO
No cantinho tecnológico, podem ser disponibilizados brinquedos eletrônicos adequados à faixa etária.
Eles podem apresentar botões, luzes, sons, movimentos, rodas, alavancas ou outras formas de interação.
Antes da exploração, a professora estabelece combinados simples:
“Vamos utilizar os brinquedos com cuidado.”
“Não vamos jogar os brinquedos no chão.”
“Precisamos esperar a nossa vez.”
“Podemos pedir ajuda quando for necessário.”
Durante a atividade, algumas perguntas ajudam as crianças a observar as respostas dos objetos:
“O brinquedo está ligado ou desligado?”
“O que acontece quando você aperta este botão?”
“Alguma luz acendeu?”
“Qual som apareceu?”
“O que precisamos fazer para ele se movimentar?”
“O que aconteceu depois da sua ação?”
Essas perguntas ajudam a criança a perceber que os dispositivos respondem aos comandos do usuário.
Ao pressionar um botão e observar uma luz ou ouvir um som, ela começa a compreender o funcionamento de uma interface de maneira concreta.
A IMPORTÂNCIA DA INTERAÇÃO E DA COOPERAÇÃO
O plano também favorece aprendizagens relacionadas à convivência.
Durante o rodízio, as crianças compartilham materiais, observam as ações dos colegas, aguardam a vez e participam de experiências coletivas.
Esses momentos podem gerar conflitos, especialmente quando várias crianças desejam utilizar o mesmo brinquedo. A professora pode ajudar a turma a encontrar soluções:
“Vamos combinar um tempo para cada criança.”
“Enquanto ela utiliza este brinquedo, você pode escolher outro.”
“Depois será a sua vez.”
A mediação do adulto é fundamental para que as crianças aprendam gradativamente a compartilhar e respeitar os colegas.
AVALIAÇÃO NO PLANO DE AULA DO MATERNAL
A avaliação deve acontecer por meio da observação.
Não é necessário aplicar uma atividade avaliativa formal. A professora pode registrar como cada criança participou das diferentes propostas.
Alguns aspectos que podem ser observados:
- Demonstra interesse pela história;
- Observa as ilustrações;
- Responde por meio da fala, de gestos ou de apontamentos;
- Reconhece ou localiza algumas cores;
- Realiza movimentos durante a música;
- Percebe repetições;
- Explora o desenho livre;
- Manipula blocos;
- Observa relações de causa e efeito;
- Compartilha materiais;
- Aguarda a vez com ajuda;
- Utiliza os brinquedos com cuidado.
Esses registros ajudam a professora a compreender o desenvolvimento da turma e a planejar novas experiências.
Uma criança que não realizou a dança pode ter acompanhado toda a música com atenção. Outra pode não ter nomeado o verde, mas encontrou a cor quando recebeu um cartão como referência. Esses detalhes também representam aprendizagens.
ADAPTAÇÕES E ACESSIBILIDADE
A proposta pode ser adaptada para garantir a participação de todas as crianças.
Crianças com sensibilidade auditiva podem permanecer mais distantes da caixa de som, utilizar fones abafadores ou acompanhar a música em volume reduzido.
Os movimentos podem ser realizados em pé, sentados ou com apoio. A professora pode substituir comandos conforme as possibilidades motoras da turma.
Para facilitar a preensão, podem ser utilizados giz de cera grosso, giz triangular ou engrossadores.
Os blocos e brinquedos devem ter tamanho seguro e adequado, evitando peças pequenas.
Crianças que utilizam comunicação alternativa podem responder apontando cores, imagens ou símbolos.
A história também pode ser apresentada em trechos menores, com pausas, para crianças que necessitem de mais tempo de processamento.
O objetivo da adaptação é preservar a experiência de aprendizagem e oferecer diferentes formas de participação.
RELAÇÃO COM A BNCC
O plano dialoga com diferentes Campos de Experiência da Base Nacional Comum Curricular.
Em “O eu, o outro e o nós”, as crianças compartilham espaços, materiais e brinquedos.
Em “Corpo, gestos e movimentos”, acompanham a música e experimentam diferentes ações corporais.
Em “Traços, sons, cores e formas”, exploram o desenho, os blocos, as cores e os sons.
Em “Escuta, fala, pensamento e imaginação”, acompanham a história e respondem a perguntas sobre os personagens e acontecimentos.
Em “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações”, observam formas, tamanhos, cores e relações entre objetos.
O planejamento também apresenta possibilidades relacionadas à Computação na Educação Básica, como reconhecimento de padrões, sequências de movimentos, identificação de dispositivos e exploração de interfaces.
COMO FINALIZAR A AULA
Nos minutos finais, a turma pode voltar ao espaço coletivo.
A professora mostra novamente a bandeira e retoma as experiências:
“Qual história conhecemos?”
“Quais cores vimos?”
“Que movimentos fizemos?”
“Do que vocês mais gostaram?”
“Qual brinquedo acendeu uma luz?”
“Qual produziu um som?”
Depois, pode concluir:
“Hoje conhecemos uma história sobre o Brasil, dançamos, observamos as cores da bandeira, desenhamos e descobrimos como alguns brinquedos respondem aos nossos comandos.”
Essa síntese ajuda as crianças a estabelecer relações entre os diferentes momentos da aula.
UM PLANO PRONTO PARA FACILITAR A ROTINA DA PROFESSORA
O plano de aula “Cores, música e movimentos do Brasil” foi criado para facilitar o planejamento da professora e oferecer uma proposta completa para o Maternal.
O arquivo possui sete páginas em formato PDF e apresenta capa, visão geral, objetivos, roteiro cronometrado, desenvolvimento das atividades, BNCC, Computação, recursos necessários, avaliação, adaptações, acessibilidade, guia para a professora e espaço de registro.
Também contém links clicáveis para a história e para a música utilizadas na aula.
A proposta pode ser aplicada durante a semana da Independência do Brasil, em projetos sobre identidade nacional ou em sequências relacionadas às cores e aos símbolos brasileiros.
Mais do que produzir um trabalho visual, as crianças participam de uma experiência completa com narrativa, música, movimento, interação, arte e tecnologia.
Essa é uma maneira respeitosa e significativa de trabalhar a Independência do Brasil no Maternal, valorizando a infância e as formas próprias de aprender das crianças bem pequenas.
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